quinta-feira, 18 de março de 2010

No meio do caminho tinha uma pedra II.

Não tenho mais dúvida que estou passando pela fase mais difícil de minha vida. Acreditei que a atual fase não superaria aquela remota época em que tive apendicite e passei por uma crítica fase de recuperação e tratamento. Hoje, fisicamente e psicologicamente, tenho passado por provações diárias de recuperação, aceitação incertezas e superação.
Na semana que antecedeu minha cirurgia de colocação do Ilizarov, chorei muito... mas chorei muito mesmo! Não acreditava que depois de tanto tempo tratando minha fratura, eu ainda tivesse que passar pelo pior. Depois do Ilizarov, chorei uma única vez, não pelo Ilizarov e sim por uma atitude grosseira. Acredito que encontrei a resignação necessária para aceitar tudo o que vem acontecendo e continuar o tratamento de cabeça erguida.
Fui obrigado a rever todo o meu posicionamento e as minhas atitudes perante a vida até o momento do acidente. Entre todas as coisas que fiz, muitas foram sacrificantes: encarar mudança de emprego, viver em outra cidade, viver sozinho, aceitar morar e reformar um apartamento, etc. Foi difícil e trabalhoso, porém o que mais está me marcando, é a estranha sensação de não ter feito algo ou se arrepender do que não foi feito.
Hoje estou de peito aberto para vida! Não sei se recuperarei os movimentos do cotovelo, não sei se voltarei a trabalhar como antes, não sei se meu casamento irá resistir a esta fase, etc. Assim como vem acontecendo nos últimos meses, estou preparado para o imprevisto e certo de que as coisas não serão como antes, porém, estou muito confiante e pronto para tomar a decisão que seja necessária, seja ela qual for.
Para encarar estas dificuldades eliminando o sofrimento, tenho meditado e orado muitas vezes ao dia. Tenho me colocado em outras situações e sendo empático ao sentimento do próximo. Não tenho mais dúvidas que a partir do momento em que acordei da anestesia da última cirurgia (Ilizarov), minha vida já não era mais a mesma.
Coragem, pois a vida entrará novamente nos eixos, afinal, tudo é passageiro! Pela intensidade que tenho vivido, tenho acumulado experiências interessantes e tenho muita história para contar, rs. O Ilisarov será mais uma delas.
“Somente o marinheiro que enfrentou mil tormentas sabe qual é o gosto de uma bonança”.
Flavio Gemi - Itatiba SP.
18/03/2010

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