sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Remoção de parte do Ilizarov

Ontem estive internado no Hospital Paulo Sacramento em Jundiaí para retirada de parte da gaiola.
Acredito que foi uma cirurgia rápida pois entrei no centro cirúrgico às 7h00 e às 9h00 já estava no quarto. Às 13h15, obtive alta médica e pude voltar pra casa.
A grosso modo, metade da gaiola foi removida, saí do hospital com um saquinho cheio de ferros (do Ilizarov). Vou pendurá-los na árvore de Natal.
Enfim, estou com o braço dolorido (Ah! O que eu queria, depois de ter os fios do Ilizarov arrancados do braço por um alicate igual a esses que usamos em casa?). Os furos onde estavam os cravos e os fios estão aparentes e terei que esperar eles cicatrizarem espontâneamente (não existe pontos!). Estou tomando remédio para dor e anti-inflamatório, juntamente com os antbióticos pra combater a osteomielite.
Bom o Natal deste ano não é nenhum Natal dos sonhos, porém já é um pouco melhor do que o Natal do ano passado. Espero ter dado um passo importante para ter a gaiola totalmente removida dentro de mais alguns meses.
Querido Papai Noel... que em 2011 o Ilizarov seja totalmente removido de meu braço, que a osteomielite seja curada e que enfim eu volte a ter uma vida normal.
Feliz Natal a todos!

domingo, 28 de novembro de 2010

Novas Fotos do Ilizarov




Seguem as mais recentes fotos do Ilizarov em meu úmero esquerdo.
Como escreví anteriormente, estamos desestabilizando gradualmente a armação, soltando gradualmente algumas hastes do aparelho.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

E o osso colou.

Já se foram 256 dias desde a cirurgia para implantação da gaiola (Ilizarov) e já se foram 16 meses do acidente também.
Hoje eu estive no médico (ortopedista) e foi feito um raio x da fratura.
Segundo o ortopedista, o osso colou!
Mas a gaiola ainda continuará por aqui. Sem previsão para removê-la.
Vamos começar a desestabilizar a fixação externa, soltando alguns parafusos alternadamente. Com isso, a idéia é estimular uma maior consolidação óssea que ainda é insuficiente.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

250 dias com o Ilizarov

Lá se foram 250 dias desde a "instalação" do Ilizarov em meu braço.
Lá se foram muitos dias sem trabalhar.
Lá se foram muito antibiótico para a Osteomielite que me consome.
Lá se foram rios de paciência.
Lá se foram muitas gotas de Lisador.
Lá se foram dias tristes e alegres.
Esperança em dias melhores.
Agradecimentos pelos avanços.
Tudo evolui, pensando assim, a vida evolui para a morte.
E pela morte se obtem a eternidade.
Viver como se fosse o último dia.
Caras como eu estão ficando velhos e chatos.
Na próxima, postarei uma foto nova do Ilizarov, ou seja, um pouco mais do mesmo.
Minha arcada dentária está voltando ao normal com o uso do aparelho nos dentes. Opa! Existem boas notícias também.
Pela conversa dos dentistas, acho que não vou escapar do implante dos dentes. Ufs, um pouco mais de dor.
É pouco pra mim! Um cara que só trabalhou, estudou e em 90% da vida só fez coisa boa, com progresso.
Um dia o sol voltará a brilhar, enquanto isso, bom... deixa prá lá... o caminho será longo e trabalhoso... Desde 1977, teve dia fácil? Por isso, lhes digo: sou o cara certo pra carregar o Ilizarov, a osteomielite e toda essa tromba que estou passando!

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Oito meses com a gaiola

Amanhã completarei 8 meses com a gaiola, ou seja, daqui a pouco.
Tá um tempo muito estranho lá fora, uma noite quente com muita ventania, adqvertindo que coisa boa não está por vir.
Eu estou aqui escrevendo com as janelas espalancadas, pois estou suando e não paro de espirrar.
O oitavo mês desta infinita gestação que é a osteomielite + o Ilizarov promete ser melancólico. Sem motivos aparentes, porém é assim que eu me sinto.
Minha atual sensação é a de um piloto que largou em último lugar, fez uma corrida espetacular, ganhou a corrida e na hora do pódio, a equipe colocou outro piloto no lugar dele pra ouvir o hino e estourar a champagne.
Infelizmente as coisas são assim.
Vou melhorar pois a sobrevivência está no meu DNA, mas minha vida está um porre!
Não é a luta do bem contra o mal, da justiça contra a injustiça, do He-Man contra o Esqueleto e nem da rocha contra o mar é simplesmente resistência física contra resistência psicológica.
Enfim é a mesma coisa de que falar com a porta. Não adianta nada.

sábado, 2 de outubro de 2010

Este é o meu único cantinho.

A minha situação ainda é crítica e desde que adotei um novo modo de comportamento, às vezes, este blog é meu único refúgio para desabafar.
Continuo seguindo exemplarmente meu tratamento visando a recuperação total do osso e da eliminação da osteomielite. Sei que meu caso é grave e que o tratamento será muito trabalhoso, mas infelizmente continuo em um "vôo cego" quanto a previsão de recuperação. Em partes, meu ortopedista poderia ser mais bacana, mas ele não dá uma previsão sequer quanto as expectativas futuras. Quando faço algumas perguntas como uma possível previsão de retirada da gaiola, meu médico logo perde a paciência e diz que vai fazer um enxerto ósseo em mim. Logo lembro-o que estou usando o PHYSIO STIM (que ele mesmo indicou) para não fazer o enxerto ósseo e aí o bicho come um "bom-bril" danado. Infelizmente além da paciência necessária com todas as coisas desagradáveis que o Ilizarov e a osteomielite me trouxeram, tenho que ter mais paciência ainda com o "ego" dos médicos (todos). Coitados vão morrer e feder como qualquer um.
Tenho tido um comportamento quase nota 10, com paciência, sem grana, aguentando firme as dores e incômodos, aguentando o trabalho que está num ritmo acelerado, apesar de ter que escutar gracinhas de uns caras com 20 anos de empresa no "lombo" que insinuam que eu estou tranquilo, pelo fato de eu não estar saindo para visitar clientes com a mesma frequência de antes. Enfim é que pra trabalhar no mesmo ritmo que eu trabalhava antes do acidente, o cara tem ser "bão", não é pra qualquer um não! Hoje mesmo com a limitação momentânea de dirigir automóveis, sou produtivo pra caramba, pois vendo um monte de máquinas sem tirar a bunda da cadeira, a custo praticamente zero pra empresa. Atualmente sinto pena dessa gente, que apesar de 20 anos de empresa não sabem sequer escrever um e-mail em português...
Falando em empresa, pra piorar ainda mais minha situação fiquei pagando os descontos em folha de pagamento referente aos meus 11 meses de afastamento até este mês de setembro. Enfim, estou desde julho sem receber do INSS e da empresa e nem preciso comentar que minha situação financeira está terrível.
Me considero uma perfeita mula manca, pois já cometi todos os erros que uma pessoa comum pode cometer. Às vezes, me pego questionando que não tive melhor sorte até agora, por falta de fé...porém, quando paro pra pensar que apesar de todos os fatores contra, ainda trabalho exemplarmente, estou concluíndo uma pós-graduação onde fui aprovado em todos os módulos, digitei um TCC com uma única mão, pago minhas contas em dia, faço fisioterapia, exercícios físicos (emagreci 6 quilos) e sou ativo em prol do bem, logo vejo que existe fé sim! FÉ NA VIDA!
Como escreví acima, este quase sempre é meu único cantinho para exprimir meus desabafos, pois não vou ficar choramingando e reclamando da vida pelos cantos, por mais dura que ela se apresentou pra mim.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Foto da nova gaiola.






Andei meio sumido. Foi pura falta de tempo.
Minha vida continua uma montanha russa, ou seja, cada vez que vou ao médico é pura emoção!
Meu ortopedista achou melhor mexer na gaiola (Ilizarov) para alterar o posicionamento de um anel da fixação externa que atrapalhava a visualização do raio x. Durante a mudança do anel, houve um solavanco no parafusar e desparafusar de uma parte do anel onde consegui ver toda a Via Láctea, tamanha a dor. Agora a gaiola possui um desenho diferente. Na minha opinião, ficou mais feio do que já era (parece a ponte estaiada de São Paulo), o diâmetro do anel superior aumentou e ele machuca minha costela, enfim, desgraça pouca já é bobagem.
Na linha do ortopedista, ainda estou usando o estimulador ósseo para consolidar a fratura. A parte posterior do úmero já possui traços de crescimento de osso, porém, na parte frontal ainda existe uma fenda considerável. O médico sinaliza que será necessário fazer um enxerto. Porra, gastei uma nota preta para comprar o estimulador ósseo, incluso assinei um contrato que diz que o estimulador recuperárá 100% da fratura sem necessidade do enxerto após seis meses de uso e meu médico (que indicou o uso do estimulador) quer fazer um enxerto ósseo agora! O problema é que busco esclarecimento e questiono muito os médicos para poder ser curado logo e já descobri que médico nenhum gosta de sem apertado com muitas perguntas, lamentável mas é difícil aturar o EGO inflado de certos médicos.
Com o infectologista foi outra emoção, meu exames de sangue vêm acusando um leve aumento nas taxas de PCR e VHS. Na opinião da infectologista de Itatiba, eu deveria entrar com um tratamento de choque tomando 63 injeções de um antibiótico chamado Teicoplanina. Cada injeção custa na faixa dos R$ 400,00 e PIMBA! Lá vai o banana do Flavio pedir ajuda pra Deus e o mundo (assistente social, plano de saúde, SUS, secretaria da saúde) para conseguir o tratamento. Fui imediatamente consultar outro infectologista em Campinas que sugeriu aumentar a dose oral do Cipro em 500 mg diários, o que foi aceito pelos ortopedistas e pela infectologista de Itatiba, obviamente contrariada. Um mês se passou, fiz novos exames de sangue e as taxas de PCR e VHS caíram, então ficou decidido que continuarei tomando os antibióticos via oral com o acrécimo mencionado do Cipro. Obs: para os ortopedistas meu exame de sangue está pouquíssimo alterado e enquanto eu estiver com a gaiola no braço, o exame sempre estará alterado, enfim, eles nem se preocupam com isto devido à baixa alteração.
Parei de ir à fisioterapia em Jundiaí porque o fisioterapeuta simplesmente sumiu, sem dar satisfações. Fiquei sabendo que foi briga entre os sócios da clínica e por este motivo, voltei a fazer fisioterapia em Itatiba. O bom é que faço fisioterapia no clube e após o término da fisio, subo para a academia de faço 45 minutos de bicicleta. A bicicleta está me ajudando no condicionamento físico e em menos de 2 meses, perdí 6 kilos e me sinto muito melhor.
Para completar, posso afirmar que o ditado "quem trabalha não ganha dinheiro" é verdadeiro. Retornei ao trabalho no início de julho de 2010. Devido aos 11 meses de afastamento, perdí o período aquisitivo de férias e me apresentaram uma lista infinita de descontos que serão realizados em meu salário. São descontos em folha de pagamento que foram honrados durante os onze meses de afastamento e que agora devo para a empresa. São coisas do tipo: plano de saúde, plano dental, previdência privada complementar, mensalidade do grêmio, etc... Hoje eu não recebo do INSS e não recebo do meu empregador que está promovendo os descontos pertinentes em folha, por isso tenho trabalhado e não recebido (pra não ser injusto, recebo um pequeno adiantamento no dia 20 que é menos que o INSS pagava). Durma com um barulho destes.
Enfim, infelizmente já perdi a esperança de que meu caminho poderá ser mais "suave" nesta recuperação. Já encaro a possibilidade de ter que fazer enxerto ósseo, raspagem de osso, tomar antibiótico intravenoso, tomar antibiótico injetável intramuscular, ficar com esta gaiola mais tempo do que o previsto, perder o movimento do cotovelo, ficar sem dinheiro e etc. Curiosamente, enquanto projeto este tortuoso caminho, me encho de brio e coragem para enfrentá-lo e até o momento sigo sem reclamar das dores e da minha sorte, pois já estou ciente de que reclamar e chorar não ajudarão em nada na solução dos problemas.
Para terminar o relato de hoje, deixo imagens do novo desenho da gaiola.
Tchau e que eu tenha dias melhores, talvez eu já faça por onde merecê-los. Infelizmente não decido minha sorte e meu destino, que estão entregues às forças superiores, para as quais suplico diariamente.
Flavio Gemi 07/09/2010.